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OFICINA PARA CRIANÇAS, JOVENS E FAMÍLIAS – M/10

02.05

10h00-11h30 (escolas)

14h30-16h00 (escolas)

03.05

10h30-12h00 (público familiar/outros interessados)

Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea, Viseu

Loja [temporária] de vender poetas

com Adriana Campos

E se fosse possível adquirir um poeta por medida? Poderia ele reescrever [temporariamente] a realidade? Estaremos a ficar poéticos? 
Loja [temporária] de vender poetas é um espaço fictício que se inspira no livro “Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz, para se transformar numa oficina – de poesia e liberdade – onde os espetadores podem adquirir um poeta por medida, escutar amostras grátis de poemas e desfocar a realidade.  

Ata nº 6 – A Loja

Redigida por Sofia Moura

Nos dias dois e três de maio de dois mil e vinte e cinco, para público escolar e familiar respetivamente, decorreu na Escola Básica de Vildemoinhos, na Escola Básica de São Salvador e na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea de Viseu, a oficina intitulada “Loja [temporária] de vender poetas” com Adriana Campos. A oficina parte do livro “Vamos comprar um poeta” de Afonso Cruz e pretende ser um espaço onde os participantes se tornam eles mesmo poéticos. O que é afinal ser poético? Trata-se de um momento para olhar, rabiscar, desfocar, escrever e compor. Um momento para transgredir e também um lugar para sentir. Seja o que for. Os exercícios da oficina são intercalados com citações do maravilhoso livro de Afonso Cruz, palavras que bebemos como se fossem água no meio do deserto de tão essenciais que nos parecem à vida.
As sessões escolares decorreram no dia dois, com mais de vinte crianças do terceiro ano em cada sessão. Poderia ser uma proposta arriscada para tantas crianças juntas, cheias de energia e êxtase constante a transbordar-lhes pelos olhos. Contudo, rapidamente a excitação deu lugar à curiosidade. E a curiosidade é o lugar ideal para começar a escutar. E se a Adriana lhes conquistou os ouvidos então é seguro dizer que lhes conquistou os corações. A atenção durante as sessões foi preciosa. Uma folha de papel em branco e um lápis – é o início. Uma folha que se dobra e que, mais à frente, será um poema – sem pressões. É mesmo simples fazer poesia, é o que se sente no final. Algo simples e despretensioso que é afinal tão complexo – será essa a definição de olhar para o lado de lá das coisas? Estou a ficar poética mas não foi intencional, foi por contágio.
A Adriana mostra-nos que o poema é subversivo. Ele obriga-nos a ver as coisas de outra forma, desarranja a realidade e provoca-a. Às vezes até desobedece – e desobedecer é uma ferramenta essencial à democracia. Quando a Adriana pede que subam às mesas e escrevam no vidro da janela, as crianças ficam surpreendidas. Afinal, parece-lhes um ato transgressor, daqueles que todos os dias lhes dizem para não fazer. São desafiados a olhar para o lado de lá da janela, para a paisagem que a janela enquadra. Olhar como se fosse a primeira vez. Se a janela estivesse numa galeria de arte qual seria o título que dariam? É essa questão que inspira o verso. De palavras, títulos e paisagens nasce o verso e é na junção de todos os versos que se constrói uma lógica e se faz o poema. A sessão de público geral teve o privilégio de ter uma janela muito bem posicionada para os belíssimos jardins da Quinta da Cruz.
A história do livro de Afonso Cruz vai-se contando por entre as propostas da Adriana. Um dos exercícios logo ao início é que se tente adivinhar o conteúdo do livro só pela capa. Nesta oficina tenta-se sempre ver para além de algo, ou através de algo.
“Uma janela é uma janela, mas uma janela que é um pássaro a voar é uma realidade mais profunda, para lá do vidro, algo que está para além da definição do dicionário, que está do outro lado da janela, mas que faz parte dela e que a descreve, ainda que por um breve momento. Uma janela é muitas coisas e…”*
O Afonso Cruz, no seu livro, fala-nos do inutilismo que significa olhar para as coisas só pela sua beleza e não pelo seu valor monetário ou utilitário. Olhar para as coisas para abrir lugares no pensamento e no peito. É nesse movimento que vive a poesia e ela é tão necessária como água no deserto.
O resultado: vários pequenos poetas e várias janelas escritas, várias folhas em branco dobradas que se transformaram em cadernos, livros e poemas. A realidade aberta, nua e bela, mais viva do que nunca.

*Citação do livro “Vamos comprar um poeta” de Afonso Cruz.

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