O Peso da Pele

SINOPSE
Em cena três atores testam um método, procuram uma fórmula, uma única certeza para salvar a sua relação com o mundo e com a existência. Presos, como Sísifo, à condição de embrenhar os seus esforços em tentativas e sucessivos fracassos, numa existência em que só lhes resta usar o corpo para passar o tempo. Para matá-lo. Para atravessá-lo. Tentam de novo. De novo. Numa procura incessante. São atores que não se conformam. Que não podem ficar sempre sem resposta. Se não for hoje, será amanhã. A lucidez do agora será esquecida e novamente alcançada. Poderão alguma vez ser homens e mulheres absurdos? Partir sem querer deixar nada para trás? Ler a teoria não basta, têm de experimentar. Ambicionar viver em quantidade, fazer uso da pele de atores para poderem ser tudo ao mesmo tempo que não são nada. No fundo desse corredor, serão leves. Etéreos.

 

Qual é o verdadeiro peso da condição humana? Quanto pesa o labor diário, fútil e repetitivo, a inevitabilidade da morte, as incongruências da realidade, as relações fragmentadas e as expectativas falhadas? Peso a mais para um ser só. Quanto pesa a pele, os ossos e os músculos de uma eternidade escrava? Peso a mais para a humanidade carregar. “O Peso da Pele” nasce da procura do lugar do absurdo e da revolta quando o cenário desaba, a pedra rola e o homem fica a sós com a sua consciência.

A cúpula estrelada que encerra o nosso destino define cabalmente a nossa situação. Tudo se joga aqui em baixo, é fugir com desdém ou enfrentar com revolta. Podemos dizer que a lua nos foge insaciavelmente enquanto a procuramos alcançar, malgrado todos os braços. Superado o último círculo que fecha a geometria do planeta, temos o ilimitado, a inóspita viagem sem fim pelo espaço sideral, a dança mística do tempo com o espaço, a destituição do corpo humano. Até lá restam-nos as habitações instáveis, os trabalhos precários, a sociedade demente, os gestos cindidos, as promessas quebradas, mas, também, o perdão, a vida selvagem, a anarquia da vegetação, a natureza feita alegria, rejuvenescendo-se como que por impulso, por sua própria potência, por sua secreta metafísica. É no intervalo deste antagonismo dilacerante, nesta duração, que morremos, como um artista no meio da sua criação, como um ator no meio do seu palco. Os cenários desmoronam-se um por um; cenários pelos quais, ainda bem há pouco, nos dizíamos capazes de dar a vida por cada um e por todos eles. Só essa distância, medida com a própria carne, entre a abóbada celeste e a terra é capaz de mensurar, com toda a precisão, o passado, o presente e o futuro da nossa condição.
David Santos

ESTREIA
8 de abril | Teatro Regional da Serra do Montemuro | 21:30H
Reservas: geral@teatromontemuro.com / 919518393 (WhatsApp)
PRÓXIMAS DATAS:
22 e 23 de Abril | Aquilo Teatro, Guarda
30 de Abril | Armazém 22, Vila Nova de Gaia

Sinopse

Esta noite, Perséfone vai ter que dormir sozinha, ainda por cima num quarto que não é o dela, recheado de sombras estranhas e ruídos assustadores. Até o peluche que lhe faz companhia não é o seu. E surge na cabeça da pequena Perséfone a grande questão: “Para que serve a noite?”. Armada apenas com coragem e curiosidade, a menina heroína embarca numa viagem emocionante à descoberta dos segredos da noite.
“A noite serve… para caçar pensamentos. A noite serve… para ter saudades.
A noite serve… para contar segredos.”

Ficha Artística

Coordenação artística: Dennis Xavier e Sofia Moura
Interpretação e cocriação: António Torres, Joana Martins e Sofia Moura
Apoio à criação: Sónia Barbosa
Desenho de Som e cocriação: Dennis Xavier
Cenografia e Desenho de Luz: Vitor Freitas
Design e Fotografia: Luís Belo
Consultoria de Filosofia: David Santos
Assistência de Produção: Clara Spormann
Produção: Mochos no Telhado
Financiamento: República Portuguesa | Cultura
Apoios: Teatro Regional da Serra do Montemuro, Teatro Viriato, ASCERTO
Agradecimentos:
Vanessa Martins, ASCERTO, Graça Magalhães, Coletivo CAVA

Informações em breve